Quando definimos o percurso para esta caminhada era nosso
propósito efectuar o "Trilho das Brandas" que tem o seu inicio e
final na aldeia de Rouças em plena Serra do Soajo, trilho este
que, embora de curta extensão, somente 8 Kms, é um percurso
bastante exigente, pois apresenta ao longo de seu trajecto
fortes inclinações," a pedir boa perna e pulmão". Assim, em
manhã de Outono com um pouco de sol à mistura, lá partimos da
citada aldeia a caminho do ponto mais distante, o Fojo do Lobo.
Logo deu para perceber que para levar de vencida a empreitada a
que nos propusermos, teria que ser feita a subida, pausadamente,
para se ir poupando as energias, pois a inclinação do terreno
não era para brincadeiras. E lá fomos, passada a passada,
subindo e registando momentos de rara beleza natural, que
naquelas paragens são abundantes. O obturador da máquina
fotográfica não parava! Quase sem se dar conta estávamos já na
Branda da Grobela, primeira etapa do percurso. Continuando em
passada certa, lá cruzamos o pequeno aglomerado de casas e
dirigimo-nos ao Poulo da Seida. Agora a inclinação acentuava-se
mas o esforço foi recompensado pelas paisagens lindíssimas que
se nos depararam. Um cenário que dificilmente se esquecerá. Aí
chegados pudemos verificar o quanto era difícil a actividade
pastorícia, que outrora ali se praticava. Vimos praticamente
intactos os abrigos dos pastores. Construções totalmente feitas
em pedra que ajudavam aquelas gentes a se defenderem dos rigores
do clima e do lobo, animal que abundava naquelas paragens e que
ainda hoje marca a sua presença. Disso nos demos conta através
de pegadas deixadas na neve, que teimava em não derreter. Dali
partimos em direcção ao Fojo do Soajo. Foi então que decidimos
alterar o percurso previamente marcado. Com o Alto da Pedrada
ali tão perto não resistimos. Rumámos até lá, e ainda bem que o
fizemos. Pois não há dúvida é um local inolvidável, para além de
ser o ponto mais alto da Serra do Soajo. Que cenário! Após uma
curta mas retemperante pausa, "voltamos ao caminho" pois
ainda faltava muito para chegarmos ao ponto de partida. Isto
porque, convém referir, também foi decidido que iríamos
regressar passando pelas Brandas da Bosgalinhas e da Junqueira.
A
descida foi feita a corta mato na direcção do caminho ali
existente e que nos levaria aos destinos referidos, passando
pela nascente do Rio Vez, em Lamas de Vez. Na Branda das
Bosgalinhas , novamente tivemos "cortar mato" para encontrar um
outro caminho que nos levaria à 3ª e última Branda, a da
Junqueira. Já ia longa a caminhada. O sol já se tinha escondido
por de trás dos montes, havia pois de acelerar. Pois corríamos o
risco de chegar sem luz ao final. O que acabou por acontecer.
Final do percurso a fazer subir a adrenalina. Sem luz, e sem
caminho, com um ribeiro para atravessar no "lusco,fusco",
saltando de pedra em pedra. Tudo acabou bem e no final restou o
sabor do objectivo cumprido e um grande apetite para uma
refeição à boa maneira minhota