DESCRIÇÃO
Com um tempo excelente para a prática, desta modalidade que tanto gostamos, fomos até à Portela do Homem, para darmos inicio a mais um percurso. Este tinha um “sabor muito especial”, dado que para além de estarmos novamente, em território do Parque Nacional, tinha também aliado o facto de, o nosso objectivo, ser o ponto mais alto de toda a imponente Serra do Gerês. O Pico da Nevosa, com os seus 1458 m e a sua
situação geográfica, é sempre um desafio para quem, como nós, gosta do agreste natural das paisagens desta mítica serra nortenha.
De pés no caminho, lá partimos em direcção ao antigo caminho que servia as minas de volfrâmio que existiam nos Carris. Passando pelos Prados de S. Miguel, que nesta altura do ano, mostra uma autentica “sinfonia em tons de verde”. Cedo deu para perceber que, não iria ser fácil transpor os cerca de 9,5 km de subida até às desactivadas minas, tal era o estado do caminho. Um autentico “mar se pedras soltas”, de todos feitios e tamanhos, sempre prontas a provocar danos nas pernas e pés dos menos atentos. Nestas condições lá fomos palmilhando, subindo, aproveitando aqui e ali uma pausa na agrura do terreno para saborear os belos enquadramentos que o Rio Homem e todo o seu fantástico vale proporciona. E cujos tons vão desde o verde da densa vegetação, a sair do período de hibernação, salpicado por tons rosados da flor da urze, muito abundante naquela zona, até ao cinzento dos penhascos abruptos no topo das montanhas. Entrecortados por pequenos cursos de águas límpidas e cristalinas, que aos poucos ajudam a engrossar o rio principal.
Quando se chega a Lamas de Homem, nascente do rio, a inclinação abranda, talvez para se ganhar folgo para a última subida antes de se chegar aos Carris. Aí chegados foi tempo para uma pausa retemperadora a anteceder a etapa final que nos levaria ao nosso objectivo. Aproveitando a morfologia do terreno caminhamos junto à pequena lagoa que outrora servia de reserva de água para a lavagem do minério. Daí para a frente, foi sempre a corta mato, até encontrar os marcos fronteiriços num vale largo entre o Altar de Cabros e o Pico da Nevosa.
Seguindo a divisória entre os dois países, empreendemos uma subida, com forte inclinação, que nos levou até ao almejado Pico. Estávamos então claramente acima de tudo ao nosso redor. Uma vista impressionante a premiar o esforço exigido para lá chegar. Coincidência, voltamos a encontrar, tal como havia acontecido na Serra d’Arga, o grupo “Um par de Botas” que também tinham definido o Pico da Nevosa como objectivo para esse dia, mas partindo de direcção diferente da nossa.
Depois de alguns momentos de puro deleite, havia que por as “botas” ao caminho novamente, pois ainda faltavam umas horas de caminho, e o tempo, esse, que começara maravilhoso, estava progressivamente a tornar-se ameaçador, deixando antever que ainda ia “haver molho”. O regresso foi feito pelo mesmo trilho, o que deu para ver que apesar do mau estado deste, os Carris exercem um fascínio especial, isto a avaliar pelo número de pessoas que encontramos. Tempo ainda para dois dedos de conversa com um grupo de escuteiros de Barcelos que desciam até à Portela. A chegada aconteceu debaixo de chuva e trovoada e com os pés e pernas feitos num molho, muito por culpa da imensidão de pedra solta que encontramos que tornou a descida muito pior que a subida.
No fim, apesar dos contratempos referidos, ficou para mais tarde recordar os momentos fascinantes que esta caminhada proporcionou.
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