DESCRIÇÃO

Cumpriu-se o desiderato. Finalmente conseguimos satisfazer um desejo com muitos anos de existência. Num dia esplêndido para a prática deste desporto, com a perspectiva de explorar a parte mais bonita da serra e com boa companhia. Que mais se pode desejar?  
Com este espírito e logo pela manhãzinha partimos um grupo constituído, desta vez, por 9 elementos, com 3 “visitas” O Tiago novato nestas andanças que resolveu fazer o seu baptismo neste percurso, quiçá entusiasmado pelo pai ou pela dificuldade e beleza do percurso. Para além do Tiago, também o Jorge resolveu revisitar-nos juntamente com o seu amigo Carlos. No ar os perfumes e o silêncio da natureza somente entrecortados pelas larachas dos participantes indiciando a boa disposição que é apanágio deste grupo, só nos faltava o Silva com os seus versos alusivos.
Logo no inicio depois de atravessada a ponte de Servas sobre o rio Conho  e por entre árvores e arbustos vislumbramos o nosso objectivo bem lá no alto esplendorosa iluminada pelos primeiros raios de sol a Roca Alva em contra ponto com  a Roca Negra, Rocalva com o passar dos tempos e das pessoas. Que motivação!
Utilizando um estradão de terra batida logo, logo se sai, passando a usar os carreiros de pé posto sempre perfeitamente identificados por mariolas bem visíveis, algumas delas perfeitas obras de arte e equilíbrio de tantas vezes terem sido reconstruídas, aumentadas o que indiciava um percurso muito solicitado pelos caminheiros.  
À medida que a altitude vai sendo vencida o manto arbustivo vai rareando e o “palco” aos poucos vai se revelando e o que se vê é de perder a respiração paisagens magnificas vão se abrindo em frente ao nossos olhos. Temos para nós que o que de lá se vislumbra, quer seja para o lado sul , quer seja para leste é do mais grandioso que temos visto. Acabada a subida mais íngreme são os vales , provavelmente glaciares,  profundos alternados com picos ou rocas formadas por camadas rochosas de diferentes tonalidades e composições mas com um denominador comum grandiosamente agrestes.
Chegados ao sopé do megálito que ali nos levou e cuja formação rochosa, na base, faz lembrar uma boca sorridente, que parece desdenhar o esforço feito por caminhantes que  ali o vão venerar. Foi aqui que retemperamos as forças para o que ainda faltava de percurso e que não seria nada fácil. Próxima paragem o Alto do Borrageiro sitio revisitado, mas sempre espectacular. Não podíamos, estando nós por estas bandas, deixar de fazer um ligeiro desvio para contemplarmos a paisagem que daí se desfruta.
Agora sim, iniciamos o regresso, começando a descer desde aí até à ponte do Arado. E que descida! Diríamos. Tão violenta como a subida. Feita por carreiros de pedra solta a exigir cuidados redobrados para evitar lesões nos tornozelos, mas sempre acompanhados pelas águas cristalinas do rio Arado, tornaram o percurso mais fresco deste lado do Borrageiro.
Passadas 8 horas e trinta minutos, chegamos ao ponto de partida. Com 18 km percorridos pelos mais belos recantos deste Parque pelo qual temos todos a responsabilidade de  preservar para as próximas gerações. Para que eles possam gozar tanto como nós gozamos neste percurso.

No final, para retemperar as forças, resolvemos visitar o Restaurante Vessadas em Valdozende  que com a sua tradicional simpatia nos presenteou com uma cabidela de frango que soube que nem “canja” .

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